|
Momento Olímpico: Fabí
Alvim
Fabi Alvim, ou Fabizinha,
completou 30 anos no último dia 7 de março, carioca de
Irajá, é considerada a melhor líbero do mundo. Defende a
Seleção Feminina de Vôlei, pela qual já conquistou
inúmeros títulos, entre eles o Ouro Olímpico e defende
também a equipe carioca Unilever. Conheça um pouco mais
sobre a atleta!
O que te levou a
escolher o voleibol?
Na verdade eu sempre gostei
de esportes, desde pequena. Minha família sempre gostou
muito de futebol, somos todos flamenguistas lá em casa,
sempre acompanhei o futebol por causa dos meus pais e em
época de olimpíada também. Mas o momento em que eu
escolhi jogar vôlei foi na época da conquista do ouro da
Seleção Masculina em 1992, em Barcelona. Foi por causa
disso que eu optei por esse esporte! Eu fazia atletismo
também, gostava de basquete, futebol, mas naquela época,
depois da conquista deles, o vôlei virou uma febre e foi
quando eu escolhi o vôlei!

A partir desse ano, a
Seleção Brasileira pode convocar 14 jogadoras, sendo uma
delas um segundo líbero. O que achou dessa nova regra?
Ainda não sei como ela vai
funcionar esse novo esquema. De repente deve poder
substituir o líbero durante a partida. Acho que o que
vai de fato mudar é a presença de mais uma pessoa no
grupo. A disputa vai continuar a mesma, porque
independente de ter ou não mais um líbero, o que vai
acontecer é que a briga pela posição vai ficar maior, a
responsabilidade vai aumentar a partir de agora. Tomara
isso favoreça a nossa seleção que, a meu ver, sempre
esteve bem servida de líbero.
Dá um pouco de medo?
Eu vejo tudo como uma
motivação. Se formos analisar, o líbero está eternamente
ameaçado independente de o técnico escolher um para viajar e
só tem você. Se você não for bem em uma competição o
treinador vai ter dúvidas, e isso a sua posição é colocada
em risco por causa disso. Agora eu procuro ver isso com uma
motivação, porque a partir de agora, qualquer momento ruim
que você tenha na partida, você pode ser substituído. Isso
pode ser encarado de uma forma positiva, porque às vezes
você não tá em um dia legal e ai vem alguém e te ajuda,
ajuda o Brasil e se for aplicado aos clubes, ajuda também,
porque nós somos humanos né?! E às vezes não estamos em um
bom dia. Mas, ao mesmo tempo, com essa impossibilidade de
trocar, torna a responsabilidade muito grande. De repente,
mesmo em um dia ruim, a gente tem que achar uma maneira de
contribuir com alguma coisa naquele momento, porque você não
pode sair. Mas é uma motivação mesmo! De repente nos
momentos difíceis que você não tiver em um dia bom, vai ter
que tirar algo de dentro, se superar, porque o seu objetivo
é sempre fazer o melhor pelo seu time.
Quem você acha que
esta mais apta a ocupar essa segunda vaga de líbero?
Acho que o Brasil sempre
teve grandes líberos. Eu vejo uma safra muito boa vindo aí.
Vejo a Marcela, a Suellen é uma boa líbero, tem a Verê
também, mas de todas essas, eu acho que a que tem um maior
potencial é a Camila Brait por ter vindo de categoria de
base da seleção brasileira e por hoje tá ai defendendo uma
grande equipe. E com esse aumento de disputa por essa
posição, acho que ela é a que tem mais chances e é um maior
destaque de todos os nomes que eu citei, pois pra mim,
independente dela ser jovem, eu acredito que ela tem
potencial e muita personalidade e isso é muito importante!
Por quê o líbero não
pode ser capitão?
É uma pergunta pra fazer pro
comitê internacional, porque eu não consigo entender também.
A central que entra e sai pode ser capitã. No início, quando
a posição foi criada, podia ser, bem no início, no 1º ano.
Lembro que a Andréia Teixeira foi capitã do BCN na época.
Não sei mesmo dizer o porquê, isso é uma incógnita.

Fabi
em ação pela Seleção Brasileira.
Arrisca um nome para
substituir Fofão?
É difícil falar um nome. Eu
vejo a Dani Lins mais bem preparada. Vejo outras jogadoras
também que não podemos deixar de falar, até porque se eu
deixo de falar depois dá problema (risos). Mas da mesma
forma que eu falo da Camila Brait, como uma das mais
preparadas para a posição, eu vejo a Dani assim também. Mas
temos a Fabíola, tem a Fernandinha que joga fora, mas é
complicado, não sei o que se passa na cabeça do Zé em
relação à levantadora. Eu sei que ele é a melhor pessoa pra
escolher porque é um cara que além de ser um grande
treinador foi levantador. Mas quem vier ocupar essa vaga,
tem que vir de coração e peito aberto, porque vai ser
difícil pegar esse peso de substituir uma jogadora como a
Fofão. Mas se vier tranqüila vai entrar bem porque a seleção
brasileira, esse grupo em especial, é um grupo muito bacana
de se trabalhar, então quem chegar vai ser bem recebido!

Olimpíada de 2016 no
Brasil é possível?
Eu como brasileira, eu tenho
que acreditar! O Brasil ainda tá buscando se estruturar, tá
correndo atrás. A gente sabe das condições do mundo, estamos
falando de Tóquio, de Madrid, de cidades altamente
estruturadas, com infra-estrutura de todos os lados. Acho
que estamos aquém, sabemos disso tudo. Mas por ser
brasileira, eu acredito que em 7 anos a gente consegue se
preparar. Eu acredito, apesar de saber as reais condições.
Precisamos acertar muitas coisas pra apresentar o projeto
final para que sejamos aprovados. Estamos correndo atrás
pois estamos em desvantagem em relação às outras cidades. A
nossa proposta é que nunca existiu uma olimpíada na América
do Sul, o Pan é um aliado nosso, serve como um cartão de
visita. Acho que o Pan somado a Copa, podem servir como uma
alavanca pra que seja aqui.
Quais as expectativas
pra jogar o Grand Prix no Brasil?
Primeiro é a história né?!
Jogar um Grand Prix aqui depois de tantos anos tentando isso
e a federação internacional nunca nos permitiu. E veio logo
depois da conquista do ouro, vai ser um momento muito
especial encontrar a torcida, vai ser bacana. Apesar de ser
só a 1ª etapa, cada etapa tem um título, então seria muito
bacana se a gente pudesse fazer uma boa apresentação e levar
essa etapa. Acho que já iremos fazer uma história por jogar
uma etapa de Grand Prix aqui. E acho também que vai ser um
encontro muito esperado por todas nós. Depois do Pan é o
primeiro campeonato que vamos jogar de novo aqui no
Maracananzinho, poder voltar ali e pedir desculpa pra todo
mundo (risos), vamos ver o que vai acontecer, mas acho que
vai ser um encontro esperado por todas nós!
Entre as 3 seleções
que o Brasil enfrentará, acha que o confronto contra os
Estados Unidos vai ser o mais esperado?
A gente não sabe o que vai
acontecer com a equipe americana. É um ano pós-olímpico,
talvez tenha uma renovação muito grande. O técnico já mudou,
ele veio da equipe masculina pra feminina. Mas independente
disso existe a rivalidade, se o jogo for Brasil e Cuba, você
nunca vai ver Cuba jogar mais ou menos. Tenho certeza que o
Maracananzinho vai tá lotado pros jogos (risos)!

Equipe Rexona-Ades, atual Unilever, comemora o
hexacampeonato na Superliga 2008.2009.
Unilever de coração?
Sou! (risos) Nada de ir pro
Osasco (Risos). Brincadeira! Essa rivalidade que a gente
criou é bem bacana, mas temos que carregar junto com ela
algumas coisas que é tipo isso, não ir jogar lá (risos).
Tenho um carinho muito legal com a torcida do Osasco, eles
sempre me recebem muito bem, apesar de eu achar que talvez
elas não quisessem me ver de perto, porque a gente vive
ganhando deles lá (risos). Mas não é isso, acho que o que
vale é o respeito que você trata as pessoas, a atenção que
você dá a elas, faz com que elas tenham um carinho por você
e eu tenho um carinho por eles, apesar de ser uma torcida
adversária, são fanáticos, sempre vão aos jogos, torcem
muito e sabem reconhecer quando o outro time é melhor. Mas
não me vejo jogando lá! Tenho grandes amigos lá, é um time
que possui uma excelente estrutura, o Luizomar é um cara a
quem devo muito, principalmente pelo o início da minha
carreira, mas eu me vejo aqui no Rio mesmo. É uma
identificação que se eu puder, fico aqui até quando o
Bernardinho me agüentar (risos)!
Por que motivo sairia
do Unilever?
Muita gente me perguntou
isso depois da olimpíada, até falaram que saiu em um site ai,
eu dizendo que tinha a possibilidade de sair do Brasil em
2009. Não é isso! É óbvio que todo mundo se valorizou muito
depois dessa conquista e valorizou o voleibol brasileiro e o
feminino em geral que já era muito bem visto lá fora. Se me
fizesse essa pergunta há um tempo, eu diria que tinha muita
vontade de jogar fora por uma questão de experiência, de
cultura, financeira, mas hoje, não vou falar pra você que
nunca sairia do Rio, mas eu vejo que aqui, ao longo desses
quatro anos, que eu construí uma história muito bacana, não
só pelas vitórias do time, mas pelo meu crescimento, pela
minha identificação, por eu estar jogando em casa, perto dos
meus amigos, isso tudo são coisas que hoje motivam na hora
de fechar um contrato. Não é só a parte financeira, existem
outras coisas importantes a serem vistas. Eu vou esperar. É
um ano bacana, torço pra que aconteçam muitas tentações pra
mim, como pra todas as meninas, porque é uma forma de você
ver o vôlei valorizado. Não tenho a intenção de sair daqui,
só se fosse uma coisa muito bacana que financeiramente
falando, valeria muito à pena, mas não pesaria somente esse
lado para tomar a decisão.

Fabizona e Fabizinha
pela equipe carioca Unilever
Você tem como
característica marcante a simpatia. Já passou alguma
situação engraçada ou constrangedora com os fãs por causa
disso?
Olha, não! Assim, tem alguns
que abusam. Mas eu me saio super bem dessas situações sabe?
Eu sou carioca esperta sabe? (risos) Tento sair sempre numa
boa. Acho que faz parte, os fãs é quem estão ali pra te
apoiar, pra valorizar teu trabalho. Daqui a 10 anos vou
parar de jogar vôlei e tenho certeza que vai ter um ou outro
fã que eu terei contato. É importante manter isso. Tem uma
menina que fez um site pra mim e ela nunca tinha me visto na
vida sabe?! E ai encontrou comigo em Araçatuba. Acho que o
mínimo que você pode fazer é ser educado, retribuir o
carinho, isso pra mim é o mínimo. E o máximo é entrar em
quadra e fazer o seu melhor pra que a gente conquiste mais
fãs. Mas já houve sim situações diferentes. Tem jogadoras
que acho que tem mais problemas. A Sheilla e a Mari, por
exemplo, devem ter mais problemas que eu, mas eu me saio
muito bem. Sempre tem uns malas né?! Não tem jeito (risos).
Mas são raros. Os problemas que surgem a gente sai
rapidinho!
Você acha que a
atitude exagerada de alguns fãs, afasta as jogadoras da
torcida e até mesmo, da liga nacional?
Tem gente que consegue seu
telefone, te perturba, vai na sua casa, que faz plantão, eu
acho que isso já é extrapolar um pouco. Se você puder ter um
relacionamento bacana com os seus fãs como eu tenho com a
maioria dos meus, e tenho com pessoas que nem são fãs minhas,
é tranquilo! Eu já fui torcedora, então acho que é legal ter
um bom relacionamento com os torcedores porque quando a
gente não trata bem é ruim pra pessoa, é uma coisa
frustrante. Você se prepara pra assistir um jogo, espera pra
falar com a pessoa e ela não te dá uma atenção?! O mínimo
que você pode fazer é dar atenção, é ser educada. Mas ao
mesmo tempo, não sei se isso afasta as jogadoras não, mas
assusta um pouco, principalmente as pessoas que não tem essa
facilidade de ter um relacionamento bacana com o seu fã. Tem
gente que é tímido, que não tem essa coisa e aí as pessoas
confundem um pouco a timidez com metidez. A Mari, por
exemplo, é uma pessoa que tem esse jeito, que passa pras
pessoas a sensação de ser fria, mas ela é super divertida e
talvez tenha um pouco de problema com fã, porque ela é um
pouco retraída. Mas ela planta uma pessoa que não é, é
completamente diferente do que ela parece ser. Acho que isso
é uma defesa dela e ela no dia a dia é uma pessoa muito
engraçada, muito extrovertida, brincalhona, coisa que você
dificilmente vai ver fazer dentro da quadra, talvez em
treinos, mas mesmo assim é só pra quem conhece, é a
convivência. Nós duas somos duas palhaças, a gente se dá
muito bem!

A tão
sonhada medalha de ouro olímpica.
O que mudou na sua
cabeça depois do ouro olímpico?
Eu continuo fazendo as
mesmas coisas! Nos treinos continuo com muita motivação. Mas
é difícil dizer pra você que não mudou nada, é lógico que
mudou! As pessoas te reconhecem mais na rua, valorizam o teu
esforço, isso é muito bacana. Acho que muita gente parou pra
ver aquele 23 de agosto. O fato de a gente ter perdido
algumas finais, mobilizou muita gente e, podermos trazer de
volta a credibilidade pras pessoas foi muito legal. E acho
que é isso que muda. É uma medalha que eu vou ter na minha
casa que é pra minha história independente se vão lembrar
disso pra sempre. O importante é termos a nossa história, de
repente, daqui a 10 anos, as pessoas podem não lembrar com
tanta freqüência da Mari, da Sheilla ou da Fabi, vão lembrar
porque nosso nome tá na história, mas eu vou ter história
pra contar pra minha família e são momentos que ficam na
minha cabeça que, vira e mexe eu to dirigindo e eu me lembro
de algumas coisas, de cenas, porque nunca mais vamos viver
um momento como esse. Por mais que a gente ganhe outra
medalha, aquela vai ter um sabor especial e por ter sido da
maneira que foi, por ter sido inédito, por estarmos ali
representando algumas gerações é que se torna tão bacana.
Mas no meu dia a dia pouca coisa mudou. Eu continuo indo a
praia (risos). De vez em quando temos alguns privilégios que
as pessoas acabam dando quando nos reconhecem, como um
desconto (risos), mas isso é raro (risos). Mas não mudou
muita coisa não. O mais legal é que hoje eu tenho uma coisa
a mais pra mostrar pras pessoas, que tem um valor simbólico
inenarrável e inesquecível!
Em geral, a sua
posição não recebe todos os méritos que merece. Existe uma
desvalorização do líbero no mercado?
Se você me perguntasse isso
há uns três ou quatro anos, realmente o líbero era a última
peça a ser contratada. Acho que com o crescimento da
responsabilidade, com as pessoas vendo a importância que é
ter um bom líbero, tecnicamente falando e, principalmente de
atitude e de personalidade, eu acredito que essa mentalidade
vem mudando um pouco. Mas ainda é visto como mais um jogador
e não como o jogador. Na minha opinião já houve mudança,
hoje em dia, principalmente os técnicos, que talvez sejam os
principais mentores dessa idéia de contratação, já percebem
que ter um bom líbero hoje no seu time é tão importante
quanto ter uma boa levantadora, uma boa atacante, enfim,
esse é um conceito que vem sendo revisto, tá engatinhando
ainda, acho que o líbero pode ser mais valorizado e, o que
eu puder fazer pela minha posição, pelos líberos em geral,
eu farei!

Qual o melhor jogo e
o pior jogo da sua carreira?
O melhor acho que foi contra
a República Dominicana, no Grand Prix 2008 (foto), na 3ª
fase, em Macau. Estávamos perdendo de 2 x 0, pra uma equipe
que teoricamente não tinha a menor chance de ganhar da gente
e foi um momento em que pensamos que o nosso foco era a
olimpíada, mas que tínhamos que focar no Grand Prix também,
então resolvemos jogar, arrumar força. Foi um momento muito
importante pra tudo o que conseguimos conquistar, foi um
jogo que deu um estalo em todo mundo de que estávamos a um
mês de uma olimpíada. Agora um jogo difícil que eu posso
falar, é um jogo muito triste na verdade. Não vou nem dizer
que foi jogado mal ou jogado bem, mas um jogo muito triste.
Óbvio que é uma derrota e que foi muito triste pra mim, foi
o jogo do Pan Americano. Perdemos o mundial também, ficou
marcado na memória, porque foi uma competição que tínhamos
muita chance de ganhar, mas o Pan foi aqui né?! Em casa, no
Maracananzinho e tava toda mundo ali, minha família, meus
amigos, tinham muita gente torcendo pela seleção feminina.
Aquele jogo pra mim foi um dos mais tristes, um jogo que eu
demorei muito pra conseguir dormir uma noite inteira sem
ficar com lances da partida na cabeça. Eu senti muito aquela
derrota. Tenho alguns amigos em particular na seleção que me
conhecem muito bem, como a Sheilla, a Mari, a Paula, Sassá,
Fabizona e nós vivemos muita coisa nesses anos todos. Às
vezes jogamos juntos por um tempo na seleção e ai vai cada
uma pro seu clube e acaba que ficamos um tempo sem falar e,
quando a gente encontra, temos uma empatia, uma coisa muito
bacana entre nós. E entre todas ali, só tinha eu e a Thaisa
de cariocas, e acho que talvez eu tenha sentido mais, porque
eu sabia o que significava o Pan Americano no Rio de
Janeiro, o quanto era difícil fazer um campeonato desse
porte, de nível mundial dentro do Brasil, o quanto as
pessoas trabalharam para que o evento acontecesse e tinha
muitos amigos, muita família, muita gente que merecia uma
vitória nossa ali e nós mesmos. Mas eu te digo que tudo
acontece na hora que tem que acontecer. Aquele foi o
pior ano da seleção feminina da nossa geração, o corte da
Mari, passamos por umas coisas muito difíceis. Se me
perguntassem se eu trocaria algo nesses quatro anos, eu
trocaria sim, eu quero ganhar sempre, dói perder, mas se
você me dissesse que o final dessa história seria a medalha
de ouro de uma olimpíada, eu acho que valeria a pena passar
por tudo o que aconteceu. Nós fomos muito criticadas né?!
Desde que chegamos à seleção em 2005 a gente responde
perguntas sobre Atenas e algumas de nós nem estava lá. E eu,
por falar demais sempre, to sempre ali tentando responder
uma coisa que talvez nem tenha explicação. Mas acho que tudo
fez parte.

Seleção durante os Jogos
Pan-Americanos de 2007
Esse ano você
completa 14 anos dentro de quadra. Começou jogando em Irajá,
depois foi pra Flamengo, passou pelo Macaé, Vasco, Campos
até que chegou ao Rexona-Ades, onde está desde 2005. Pela
equipe carioca conquistou 3 Campeonatos Carioca, 2 Salonpas
Cup, 1 Copa do Brasil e 4 Superligas. Na Seleção Brasileira
desde 2002, foram inúmeros os títulos e prêmios conquistados,
entre eles, talvez o mais importante, o Ouro Olímpico em
Pequim. Falta conquistar alguma coisa?
Falta o próximo campeonato
né?! (risos). Me perguntam isso de vez em quando, eu sou uma
pessoa que gosto de ler, de tá sempre informada, e me lembro
que há 4 anos perguntaram pro Bernardo o que o motivaria a
seguir na seleção, ele já tinha sido campeão do mundo,
campeão olímpico, que naquela temporada ele já tinha
conquistado tudo. Ai ele respondeu isso, que o que o motiva
era a próxima competição. Se você for comparar um título de
jogos abertos do interior com o título de uma olimpíada,
você vai falar ‘’você tá brincando comigo né Fabi?!’’, mas o
que move o atleta é isso, é o próximo campeonato. É o jogo,
é você jogar bem, se preparar e a gente sabe que a história
não pára ali e queremos construir uma. Esse ouro olímpico é
um capítulo da nossa história, pelo menos da minha, do que
eu penso pra mim. Ainda quero buscar algumas coisas e, pra
isso, os próximos campeonatos fazem parte e são sempre os
mais importantes!
O Campeonato Mundial
se destaca nesse sentido de importância?
O mundial é o título que
falta mesmo! Se nós mantivermos o nível desse time, se
estivermos todas bem fisicamente, a gente consegue. Nós
sabemos das nossas condições. Nesse ciclo, temos o mundial e
a olimpíada como as competições mais importantes. Grand Prix
tem todo ano, Pan Americano é de 4 em 4 anos, mas nem sempre
o Brasil vai com a seleção principal. Então depois da
olimpíada, o mundial passa a ser o campeonato em que falta o
título, chegamos perto, batemos na trave em 2006, e mesmo
sendo o título que falta pro Brasil, acho bem provável que
se ganharmos o mundial, vamos querer ganhar outra olimpíada
e por ai vai (risos).
Diga o nome de uma
pessoa que você admira.
Ih tem tanta gente que eu
admiro! Eu sou fã do Zico. É um cara que pra mim é um
exemplo de tudo, de simpatia, de jogador, de ídolo que ele
foi. Difícil escolher um. No vôlei, como eu falei antes que
o que me motivou a escolher o vôlei foi aquela geração que
ganhou a olimpíada de Barcelona e por depois eu ter jogado
nas categorias de base do Flamengo, eu tive a oportunidade
de conviver com ele, era o Tande. Um cara que eu gostava
muito e que hoje se eu o encontro, ele me trata como uma
amiga. Outro dia até brinquei com ele ‘’Pô, você lembra que
há 10 anos eu tava lá catando bola?’’ ai ele disse que
lembrava. Gosto muito da Shelda também. Vem na minha cabeça
muita gente, é difícil sabe?! Mas esses que eu te falei são
pessoas que em algum momento me fizeram parar pra prestar
atenção nelas.

Ouro
olímpico e Flamengo, duas paixões da atleta
Depois que deixar as
quadras, gostaria de continuar trabalhando com vôlei, em
outra função? Qual?
Eu me vejo nessa área, mas
não parei pra pensar o que eu faria. Mas me vejo fazendo
algo pro vôlei, pelo vôlei. Porque é difícil pensar em outra
coisa né?! Eu tô jogando vôlei há 14 anos, não, 15 anos na
verdade, então eu vivi isso intensamente por todo esse
tempo. Pretendo continuar ainda por uns 6 ou 7 anos. Então é
muito tempo da sua vida que você se dedica a algo. Eu quero
poder fazer alguma coisa pelo esporte e, quem sabe também,
continuar vivendo de vôlei. Não vejo trabalhando sentada em
uma cadeira, atrás de uma mesa em um escritório fechado,
acho difícil isso acontecer.
Você está no melhor
momento da sua carreira?
Acho que sim. Estou no
momento em que me sinto mais feliz em todos os aspectos,
estou mais madura. Não acho que esteja velha, mas me sinto
uma pessoa madura. Vou fazer 29 anos, sei que to chegando
perto dos 30 (risos), mas o que eu mais vejo são as pessoas
falando da minha alegria, que é o que eu quero levar como
uma marca minha. A minha vibração dentro de quadra, o fato
de acreditar sempre em todas as bolas, até naquelas que não
são tão possíveis! Eu tô feliz com o que eu faço que é jogar
vôlei e é o que eu mais amo fazer. Acho que estou no meu
momento mais feliz sim com a minha carreira, eu não sei
dizer se é o melhor momento, mas é o momento mais feliz.
Ainda espero viver outros momentos felizes e bacanas como o
de agora. Mas se você me perguntar se é o momento mais feliz,
eu diria que sim. Quero viver momentos de felicidades mais
intensos, mas esse é o momento que eu diria dúvidas nenhuma,
que valeu a pena passar tudo o que passei pra tá vivendo
isso agora.
**Entrevista concedida no
dia 17.02.2009
|