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21 – Sua mãe disse em uma
entrevista que no início da sua carreira não acreditava
muito que você seguiria adiante com isso, até vê-la
substituindo a Sandra no Vasco. Em uma entrevista você
também disse que sua mãe, no início, não apoiava muito
essa história de vôlei na sua vida. Sua mãe é a pessoa
mais importante da sua vida. Alguma vez, lá no início,
isso te incomodou a ponto de você pensar em desistir do
vôlei? De todas as dificuldades que você enfrentou para
chegar até aqui, qual você pode citar como sendo a maior
delas? E por que rolava essa “desconfiança” por parte da
sua mãe, ela desejava que você seguisse alguma outra
carreira?
Na verdade meus pais não
sabiam direito que eu poderia ser jogadora. Achavam que
eu na verdade praticava um esporte e não viam aquilo
como uma profissão futura. Não me atrapalhou porque até
eu não sabia no que ia dar. Sabia que era meu sonho, mas
não sabia se iria dar certo. Por isso talvez eles
quisessem que eu estudasse, mesmo jogando vôlei, e
quando disse que não dava, rolou uma certa desconfiança,
mas acho que é normal. Eles tinham preocupação com meu
futuro. Mas acredito que a maior dificuldade foi morar
longe do Flamengo, ter que pegar quatro ônibus por dia,
não ter grana pra fazer um lanche direito, dormia pouco,
pois tinha que estudar e sair correndo pra dar tempo de
chegar no treino. Eu morava em Irajá e o Flamengo era na
Gávea, zona sul do Rio de Janeiro. Tudo serviu como
lição pra mim, me ensinou a ser persistente e a dar
valor às coisas.
22 – Você disse que
catava as bolas da Adriana Behar e da Shelda na praia!
Em que época foi isso? Como era sua relação com elas?
Você pensa em um dia ir para o vôlei de praia como
aconteceu com a Virna, a Leila, a Ana Paula?
Eu ajudei muitas vezes a
pegar bola no treino da Shelda e Adriana. Eu adorava
estar ali ajudando, pois era fã delas. Isso aconteceu em
1997. Também ajudei no treino da Sandra Pires e da
Jackie Silva. Pra mim, estar ali ajudando era uma forma
de ter contato com elas e aprender. Adoro vôlei de praia,
já pensei sim em um dia tentar jogar, mas hoje está mais
difícil por causa da altura que conta muito e, como não
sou um fenômeno como a Shelda, fica complicado!! Rs!
23 – Você disse ser
bastante amiga do seu irmão e que ele é dentista. Nunca
se imaginou em outra profissão que não o vôlei, nem por
um segundo sequer? Nas épocas de escola, seu gosto por
alguma matéria em específico não te despertou uma ponta
de interesse por outra profissão? E por falar nisso,
qual era sua matéria preferida na escola? O depoimento
de uma ex-professora sua em uma entrevista disse que
você era uma boa aluna, esforçada e estudiosa. Procede
essa informação ou tava mais pra turma do fundão?
Hahaha.
Sempre me imaginei
fazendo algo ligado ao esporte. Adorava as aulas de
Educação Física. Gostava de matemática e história também.
Sempre fui de brincar, de ficar com a galera do fundão,
mas quando precisava estudar eu encarava. Não era a
primeira da classe, mas sempre me esforcei! Rs!
24 – A Paula Pequeno
disse numa entrevista ao Esporte Espetacular, que o lado
ruim do vôlei é o desgaste precoce dos músculos, das
articulações etc, e que todo atleta de alto nível tem
dores crônicas em alguma parte específica do corpo e é
obrigado a aprender a conviver com isso, tomando
remédios etc. Você concorda com ela? Que parte do seu
corpo você sente que vem sofrendo esse desgaste e como
você lida com isso? Você tem medo de um dia precisar
parar contra sua vontade devido a algum desses desgastes
ou lesões?
Para as atacantes as
dores são mais constantes. Na minha posição, não tem
esse desgaste todo. Sempre me cuidei muito, procuro
estar sempre em sintonia com meu corpo, pois acho
importante nós mesmos nos conhecermos para tentar ajudar
a comissão médica a prevenir as lesões. Em um esporte de
alto nível o risco de aparecer com freqüência as lesões
é bem maior.
25 – O Zé Roberto disse
numa entrevista que teve que aprender a lidar com a TPM
em sua convivência com as mulheres. E algumas jogadoras
costumam mesmo reclamar que a TPM as deixa
desconcentradas dentro de quadra. Você compartilha desse
mal também?
Minha TPM é muito
pequena. Ás vezes altera o humor ou me deixa emotiva,
mas nada que atrapalhe. Saber lidar com a TPM é um
aprendizado de poucos, ainda mais dos homens e o Zé
Roberto e o Zé Elias dão muito valor a isso. Sabem como
ninguém entender isso.
26 – Você conseguiria se
definir em uma única palavra?
Difícil essa pergunta.
Não sei se consigo, mas pra não deixar sem resposta acho
que poderia ser DETERMINAÇÃO!
27 – Você está sempre
alegre, sempre vibrante dentro de quadra, nunca se notou
você apática, e após os jogos sempre é simpática e
descontraída seja com as outras jogadoras seja com os
fãs. Nas entrevistas, você também costuma brincar
bastante. O que te deixa irritada? E o que te deixa
triste? Como eu disse, você sempre trata muito bem os
fãs e essa é uma das suas marcas registradas. Estar
sempre alegre acaba se tornando pra você em algum
momento uma responsabilidade? Te preocupa a
possibilidade de um dia não estar bem e não conseguir
passar essa energia para as colegas dentro de quadra e
também para os fãs?
Tenho meus dias de mau
humor, aliás todos nós temos, mas procuro separar as
coisas. Nem sempre é possível, mas tento fazer com que
meus problemas fora da quadra não interfiram no meu
desempenho nem na forma de tratar um fã. As pessoas vão
nos ver, torcer por nós e o mínimo que posso fazer é ser
atenciosa. Já fui fã e sei o quanto significa esse
momento. O que me deixa triste é quando não consigo
fazer o meu melhor, quando não consigo ajudar meu time.
Me cobro muito. Sei que nem sempre é possível estar bem,
só que mesmo em um dia não tão bom, tento me superar e
contribuir, seja falando ou vibrando.
28 – O sonho da sua vida
era ser campeã olímpica. Era o que você sempre dizia nas
entrevistas quando era questionada sobre isso.
Realizou-se. E agora, você ainda tem algum grande sonho
a ser conquistado?
Tenho muitos sonhos,
metas e perspectivas. Os sonhos nos movem. Foi uma
grande conquista o ouro em Pequim e isso vai ficar para
sempre em minha memória, mas acredito que ainda posso
ajudar. E esse é meu objetivo hoje, continuar ajudando a
seleção a permanecer em uma trajetória de vitórias.
29 – Bom, pra encerrar,
deixa um alô pro pessoal que curte seu trabalho, que
adora você, e que está sempre entrando aqui em busca de
novidades.
Bom galera, é muito bom
saber que vocês curtem e torcem por mim e pela seleção!
São pessoas como vocês quem nos motiva a estar sempre
nos superando. Obrigada pelo carinho. Um grande beijo a
todos!!
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