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ENTREVISTA EXCLUSIVA: Fabí Alvim -

 parte 03

 

Nessa entrevista exclusiva concedida ao seu Site Oficial, a melhor líbero do mundo fala sobre sua infância, fama, fãs, músicas, livros, poesia, Rio-2016 e mais um monte de coisas bacanas! Essa é a terceira e última parte! Se você perdeu as outras duas, clique aqui!   

 

21 – Sua mãe disse em uma entrevista que no início da sua carreira não acreditava muito que você seguiria adiante com isso, até vê-la substituindo a Sandra no Vasco. Em uma entrevista você também disse que sua mãe, no início, não apoiava muito essa história de vôlei na sua vida. Sua mãe é a pessoa mais importante da sua vida. Alguma vez, lá no início, isso te incomodou a ponto de você pensar em desistir do vôlei? De todas as dificuldades que você enfrentou para chegar até aqui, qual você pode citar como sendo a maior delas? E por que rolava essa “desconfiança” por parte da sua mãe, ela desejava que você seguisse alguma outra carreira? 

Na verdade meus pais não sabiam direito que eu poderia ser jogadora. Achavam que eu na verdade praticava um esporte e não viam aquilo como uma profissão futura. Não me atrapalhou porque até eu não sabia no que ia dar. Sabia que era meu sonho, mas não sabia se iria dar certo. Por isso talvez eles quisessem que eu estudasse, mesmo jogando vôlei, e quando disse que não dava, rolou uma certa desconfiança, mas acho que é normal. Eles tinham preocupação com meu futuro. Mas acredito que a maior dificuldade foi morar longe do Flamengo, ter que pegar quatro ônibus por dia, não ter grana pra fazer um lanche direito, dormia pouco, pois tinha que estudar e sair correndo pra dar tempo de chegar no treino. Eu morava em Irajá e o Flamengo era na Gávea, zona sul do Rio de Janeiro. Tudo serviu como lição pra mim, me ensinou a ser persistente e a dar valor às coisas.

 

22 – Você disse que catava as bolas da Adriana Behar e da Shelda na praia! Em que época foi isso? Como era sua relação com elas? Você pensa em um dia ir para o vôlei de praia como aconteceu com a Virna, a Leila, a Ana Paula? 

Eu ajudei muitas vezes a pegar bola no treino da Shelda e Adriana. Eu adorava estar ali ajudando, pois era fã delas. Isso aconteceu em 1997. Também ajudei no treino da Sandra Pires e da Jackie Silva. Pra mim, estar ali ajudando era uma forma de ter contato com elas e aprender. Adoro vôlei de praia, já pensei sim em um dia tentar jogar, mas hoje está mais difícil por causa da altura que conta muito e, como não sou um fenômeno como a Shelda, fica complicado!! Rs!

 

23 – Você disse ser bastante amiga do seu irmão e que ele é dentista. Nunca se imaginou em outra profissão que não o vôlei, nem por um segundo sequer? Nas épocas de escola, seu gosto por alguma matéria em específico não te despertou uma ponta de interesse por outra profissão? E por falar nisso, qual era sua matéria preferida na escola? O depoimento de uma ex-professora sua em uma entrevista disse que você era uma boa aluna, esforçada e estudiosa. Procede essa informação ou tava mais pra turma do fundão? Hahaha. 

Sempre me imaginei fazendo algo ligado ao esporte. Adorava as aulas de Educação Física. Gostava de matemática e história também. Sempre fui de brincar, de ficar com a galera do fundão, mas quando precisava estudar eu encarava. Não era a primeira da classe, mas sempre me esforcei! Rs!

 

24 – A Paula Pequeno disse numa entrevista ao Esporte Espetacular, que o lado ruim do vôlei é o desgaste precoce dos músculos, das articulações etc, e que todo atleta de alto nível tem dores crônicas em alguma parte específica do corpo e é obrigado a aprender a conviver com isso, tomando remédios etc. Você concorda com ela? Que parte do seu corpo você sente que vem sofrendo esse desgaste e como você lida com isso? Você tem medo de um dia precisar parar contra sua vontade devido a algum desses desgastes ou lesões? 

Para as atacantes as dores são mais constantes. Na minha posição, não tem esse desgaste todo. Sempre me cuidei muito, procuro estar sempre em sintonia com meu corpo, pois acho importante nós mesmos nos conhecermos para tentar ajudar a comissão médica a prevenir as lesões. Em um esporte de alto nível o risco de aparecer com freqüência as lesões é bem maior. 

 

25 – O Zé Roberto disse numa entrevista que teve que aprender a lidar com a TPM em sua convivência com as mulheres. E algumas jogadoras costumam mesmo reclamar que a TPM as deixa desconcentradas dentro de quadra. Você compartilha desse mal também? 

Minha TPM é muito pequena. Ás vezes altera o humor ou me deixa emotiva, mas nada que atrapalhe. Saber lidar com a TPM é um aprendizado de poucos, ainda mais dos homens e o Zé Roberto e o Zé Elias dão muito valor a isso. Sabem como ninguém entender isso.

 

26 – Você conseguiria se definir em uma única palavra? 

Difícil essa pergunta. Não sei se consigo, mas pra não deixar sem resposta acho que poderia ser  DETERMINAÇÃO!

 

27 – Você está sempre alegre, sempre vibrante dentro de quadra, nunca se notou você apática, e após os jogos sempre é simpática e descontraída seja com as outras jogadoras seja com os fãs. Nas entrevistas, você também costuma brincar bastante. O que te deixa irritada? E o que te deixa triste? Como eu disse, você sempre trata muito bem os fãs e essa é uma das suas marcas registradas. Estar sempre alegre acaba se tornando pra você em algum momento uma responsabilidade? Te preocupa a possibilidade de um dia não estar bem e não conseguir passar essa energia para as colegas dentro de quadra e também para os fãs? 

Tenho meus dias de mau humor, aliás todos nós temos, mas procuro separar as coisas. Nem sempre é possível, mas tento fazer com que meus problemas fora da quadra não interfiram no meu desempenho nem na forma de tratar um fã. As pessoas vão nos ver, torcer por nós e o mínimo que posso fazer é ser atenciosa. Já fui fã e sei o quanto significa esse momento. O que me deixa triste é quando não consigo fazer o meu melhor, quando não consigo ajudar meu time. Me cobro muito. Sei que nem sempre é possível estar bem, só que mesmo em um dia não tão bom, tento me superar e contribuir, seja falando ou vibrando.

 

28 – O sonho da sua vida era ser campeã olímpica. Era o que você sempre dizia nas entrevistas quando era questionada sobre isso. Realizou-se. E agora, você ainda tem algum grande sonho a ser conquistado? 

Tenho muitos sonhos, metas e perspectivas. Os sonhos nos movem. Foi uma grande conquista o ouro em Pequim e isso vai ficar para sempre em minha memória, mas acredito que ainda posso ajudar. E esse é meu objetivo hoje, continuar ajudando a seleção a permanecer em uma trajetória de vitórias.

 

29 – Bom, pra encerrar, deixa um alô pro pessoal que curte seu trabalho, que adora você, e que está sempre entrando aqui em busca de novidades. 

Bom galera, é muito bom saber que vocês curtem e torcem por mim e pela seleção! São pessoas como vocês quem nos motiva a estar sempre nos superando. Obrigada pelo carinho. Um grande beijo a todos!!

 

 

Agradecemos a Fabí pelo imenso carinho e atenção ao ter nos concedido

 essa maravilhosa entrevista! Muito sucesso e vitórias sempre, Fabí!