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11 – Na seleção e no
Unilever, sua companheira de quarto sempre foi a Sassá,
como você disse ao Melhor do Vôlei. Com a ida dela para
o Finasa, quem é sua companheira de quarto agora?
A Sassá é uma grande
amiga e companheira. São anos juntas, muitas histórias e
muitos momentos inesquecíveis. Passo mais tempo com ela
do que com qualquer pessoa da minha família. Hoje na
Unilever fico com a Dani Lins.
12 – No famoso “Hotel das
Baratas”, no Vietnã, durante o Grand Prix do ano passado,
a Sâmia Hallage, psicóloga da seleção, disse que
percebeu o quão unido e integrado estava o grupo quando,
após observar vocês subindo as escadas, carregando a
bagagem, de repente escutou uma música vindo lá de cima
e ao conferir, era você dançando funk no corredor com
todas em volta. Que funk era? A Sâmia também disse que
se ouviram muitos gritos aquela noite nos quartos por
causa das baratas. Um desses quartos foi o seu?
Hahhahaah. Gritos por
barata com certeza sempre terão meus eu e da Sassá.
Odiamos baratas e essa história veio do nosso quarto
mesmo. Fomos nós quem vimos uma barata no banheiro
quando a Testa tomava banho, daí sai gritando pelo
corredor pra ver se alguém nos ajudava. E o funk foi uma
forma de descontração já que tínhamos viajado o dia
inteiro, chegamos lá e as condições não eram boas e
enquanto a comissão técnica foi em busca de soluções de
um hotel melhor para não atrapalhar nossa preparação
Olímpica, subimos com nossas malas e nos reunimos no
corredor. Coloquei meu ipod em um som e ficamos dançando...
foi muito engraçado, pois conseguimos fazer de uma
situação difícil, não se tornar mais complicada e foi
uma maneira de nos mantermos juntas.
13 – Você disse ao
Redação SporTv que lembra da maioria das cenas que
aconteceram no dia da final olímpica, mas algumas coisas
esqueceu e só relembra quando vê os vídeos. Difícil
escolher só uma, mas responda rápido: a cena que mais te
marcou, aquela que você lembra sempre que nem sequer
precisou rever nos vídeos pra não tirar da cabeça?
O último ponto, a bola
saindo, a Fofão paralisada e eu indo ao encontro dela.
Isso eu NUNCA vou esquecer.
14 – E por falar em praia,
como amante de esportes, nunca pensou em praticar surfe,
por hobby mesmo?
Já sim, mas muitos tombos
me fizeram desistir, rs. Amo praia e fico só nos
mergulhos e jacarés mesmo.
15 – Você é apaixonada
por tatuagens, tem dez, certo? Cada uma tem um
significado especial, uma razão pra você ter feito, além
dos arcos olímpicos e da frase da bandeira da China, ou
há algumas que você fez simplesmente por achar bonito?
Pensa em fazer mais alguma?
Amo Tatoo; Tenho 10 e
quero fazer só mais uma. Tenho um dragão que fiz por
achar bonito mesmo.
16 – Você vai iniciar sua
quinta temporada no Unilever, ex-Rexona-Ades, e deixa
bem clara a paixão que tem pelo time quando chora nas
vitórias e beija a camisa. Você disse que foi sua
atuação neste clube que te abriu portas para a seleção.
Nesse meio tempo, não precisa citar qual clube, mas
houve convites para jogar no exterior? Te passa pela
cabeça essa possibilidade algum dia ou você a descarta
categoricamente?
Tenho um carinho muito
especial e uma gratidão enorme por todos do Unilever. Já
tive sim outras propostas, mas na ocasião não aceitei
por estar feliz aqui no rio. Não tem como descartar uma
possibilidade de atuar em outra equipe, mas hoje me
sinto muito feliz onde estou.
17 – Em Londres, você
estará com 32 anos. E em 2016, no Rio
de Janeiro, com 36. A Arlene esteve em Atenas com 35
anos e na temporada passada, com 39 anos, mesmo longe da
seleção, ainda estava na ativa, defendendo o Pinheiros.
Você pensa em prosseguir por mais dois ciclos olímpicos,
é o seu desejo?
Procuro pensar em uma
coisa de cada vez. Será muito bacana ver o Rio sediar
uma Olimpíada, mas não tem como pensar em 2016 porque
tem ainda 2012 e a luta vai ser grande. Tenho sonhos,
planos, mas procuro pensar em uma coisa de cada vez. A
Arlene é um grande exemplo a ser seguido por todos que
se sintam em condições de jogar mesmo em uma idade
considerada, por muitos, avançada.
18 – A Paula ficou
sabendo dois dias depois da final olímpica que havia
sido eleita a MVP. Você também ficou sabendo apenas dois
dias depois que havia sido eleita a melhor líbero do
mundo? Qual foi sua reação?
Não me lembro exatamente
em que dia foi, mas a sensação foi indescritível. Lógico
que a medalha é o mais importante, mas saber que seu
trabalho ajudou, também é uma sensação muito boa.
19 – Saindo novamente do
assunto vôlei. Um de seus livros favoritos é “Estrela
Solitária” do grande biógrafo Ruy Castro, que trata da
vida do Garrincha, o anjo das pernas tortas. Você
confessa ser fã de biografias e me disse que gosta,
especificamente, daquelas escritas por fãs por achar que
possuem mais sinceridade e emoção do que as escritas por
jornalistas. Te passa pela cabeça ter uma biografia sua
escrita por um fã um dia? Você lembra agora algum trecho
que te marcou neste livro do Garrincha? E por quê?
Eu amo biografias. Gosto
de histórias, de trajetória, do que a pessoa em questão
passou para chegar ao sucesso. Nunca pensei em ter um
livro meu, mas quem sabe?!! Quanto ao livro do
Garrincha, a parte que me impressiona é no ápice do
vício, em que ele colocava bebida alcoólica nas garrafas
de refrigerante para burlar a diretoria que tentava
sondar se havia bebida no quarto dele. Pensei: Como pode
um gênio da bola beber e conseguir jogar. É um livro que
gosto muito, mas é triste também.
20 – Qual a lembrança
mais antiga que você tem na sua vida sobre vôlei? Como
foi quando começou a jogar com grandes estrelas como
Fernanda Venturini, Virna, Leila? A Fofão disse em uma
entrevista ao site Lancenet, que algumas meninas do São
Caetano, quando a viram pela primeira vez, não
acreditaram que jogariam junto com ela e queriam tirar
fotos e pedir autógrafos. Você exerceu seu lado fã
quando começou a jogar com lendas vivas do voleibol
feminino brasileiro como citei acima, querendo fotos e
autógrafos também?
Lógico que tive e tenho
até hoje meu lado fã. Amo Vôlei, amo esporte em geral!
Na época em que vi pela primeira vez a Virna e a Leila
no Flamengo, quase não dormi. O primeiro contato a gente
nunca esquece. Lembro até hoje um dia em que a Virna me
ligou para saber a hora certa do treino na época do Fla
e, quando desligamos, eu só ria pensando o porque dela
ter me ligado e não para outra pessoa. E mais, ela tinha
meu telefone e quando encontrava minhas amigas mostrava
o número pra elas. Com a Fernanda a mesma coisa. Lembro
da primeira vez que entrai na casa dela, fiquei
impressionada, pois até outro dia eu estava na frente da
TV vendo ela jogar pela madrugada. São historias bacanas,
que gosto de falar e lembrar. Sempre fui de acompanhar
os jogos do Brasil, conheço, de nome, várias gerações
por gostar. Realizei um outro sonho, dentre muitos, que
foi jogar ao lado da Fofa. Sempre fui fã dela, da
paciência, da inteligência e da dedicação. Ela é um
grande exemplo.
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