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ENTREVISTA EXCLUSIVA: Fabí Alvim -

 parte 02

 

Nessa entrevista exclusiva concedida ao seu Site Oficial, a melhor líbero do mundo fala sobre sua infância, fama, fãs, músicas, livros, poesia, Rio-2016 e mais um monte de coisas bacanas! Essa é a segunda parte de três! Se você perdeu a primeira, clique aqui! A terceira e última parte já está no ar! Veja aqui!  

 

11 – Na seleção e no Unilever, sua companheira de quarto sempre foi a Sassá, como você disse ao Melhor do Vôlei. Com a ida dela para o Finasa, quem é sua companheira de quarto agora? 

A Sassá é uma grande amiga e companheira. São anos juntas, muitas histórias e muitos momentos inesquecíveis. Passo mais tempo com ela do que com qualquer pessoa da minha família. Hoje na Unilever fico com a Dani Lins.

 

12 – No famoso “Hotel das Baratas”, no Vietnã, durante o Grand Prix do ano passado, a Sâmia Hallage, psicóloga da seleção, disse que percebeu o quão unido e integrado estava o grupo quando, após observar vocês subindo as escadas, carregando a bagagem, de repente escutou uma música vindo lá de cima e ao conferir, era você dançando funk no corredor com todas em volta. Que funk era? A Sâmia também disse que se ouviram muitos gritos aquela noite nos quartos por causa das baratas. Um desses quartos foi o seu?

Hahhahaah. Gritos por barata com certeza sempre terão meus eu e da Sassá. Odiamos baratas e essa história veio do nosso quarto mesmo. Fomos nós quem vimos uma barata no banheiro quando a Testa tomava banho, daí sai gritando pelo corredor pra ver se alguém nos ajudava. E o funk foi uma forma de descontração já que tínhamos viajado o dia inteiro, chegamos lá e as condições não eram boas e enquanto a comissão técnica foi em busca de soluções de um hotel melhor para não atrapalhar nossa preparação Olímpica, subimos com nossas malas e nos reunimos no corredor. Coloquei meu ipod em um som e ficamos dançando... foi muito engraçado, pois conseguimos fazer de uma situação difícil, não se tornar mais complicada e foi uma maneira de nos mantermos juntas.

 

13 – Você disse ao Redação SporTv que lembra da maioria das cenas que aconteceram no dia da final olímpica, mas algumas coisas esqueceu e só relembra quando vê os vídeos. Difícil escolher só uma, mas responda rápido: a cena que mais te marcou, aquela que você lembra sempre que nem sequer precisou rever nos vídeos pra não tirar da cabeça? 

O último ponto, a bola saindo, a Fofão paralisada e eu indo ao encontro dela. Isso eu NUNCA vou esquecer.

 

14 – E por falar em praia, como amante de esportes, nunca pensou em praticar surfe, por hobby mesmo?  

Já sim, mas muitos tombos me fizeram desistir, rs. Amo praia e fico só nos mergulhos e jacarés mesmo.

 

15 – Você é apaixonada por tatuagens, tem dez, certo? Cada uma tem um significado especial, uma razão pra você ter feito, além dos arcos olímpicos e da frase da bandeira da China, ou há algumas que você fez simplesmente por achar bonito? Pensa em fazer mais alguma? 

Amo Tatoo; Tenho 10 e quero fazer só mais uma. Tenho um dragão que fiz por achar bonito mesmo.

 

16 – Você vai iniciar sua quinta temporada no Unilever, ex-Rexona-Ades, e deixa bem clara a paixão que tem pelo time quando chora nas vitórias e beija a camisa. Você disse que foi sua atuação neste clube que te abriu portas para a seleção. Nesse meio tempo, não precisa citar qual clube, mas houve convites para jogar no exterior? Te passa pela cabeça essa possibilidade algum dia ou você a descarta categoricamente? 

Tenho um carinho muito especial e uma gratidão enorme por todos do Unilever. Já tive sim outras propostas, mas na ocasião não aceitei por estar feliz aqui no rio. Não tem como descartar uma possibilidade de atuar em outra equipe, mas hoje me sinto muito feliz onde estou.

 

17 – Em Londres, você estará com 32 anos. E em 2016, no Rio de Janeiro, com 36. A Arlene esteve em Atenas com 35 anos e na temporada passada, com 39 anos, mesmo longe da seleção, ainda estava na ativa, defendendo o Pinheiros. Você pensa em prosseguir por mais dois ciclos olímpicos, é o seu desejo?  

Procuro pensar em uma coisa de cada vez. Será muito bacana ver o Rio sediar uma Olimpíada, mas não tem como pensar em 2016 porque tem ainda 2012 e a luta vai ser grande. Tenho sonhos, planos, mas procuro pensar em uma coisa de cada vez. A Arlene  é um grande exemplo a ser seguido por todos que se sintam em condições de jogar mesmo em uma idade considerada, por muitos, avançada.

 

18 – A Paula ficou sabendo dois dias depois da final olímpica que havia sido eleita a MVP. Você também ficou sabendo apenas dois dias depois que havia sido eleita a melhor líbero do mundo? Qual foi sua reação?  

Não me lembro exatamente em que dia foi, mas a sensação foi indescritível. Lógico que a medalha é o mais importante, mas saber que seu trabalho ajudou, também é uma sensação muito boa.

 

19 – Saindo novamente do assunto vôlei. Um de seus livros favoritos é “Estrela Solitária” do grande biógrafo Ruy Castro, que trata da vida do Garrincha, o anjo das pernas tortas. Você confessa ser fã de biografias e me disse que gosta, especificamente, daquelas escritas por fãs por achar que possuem mais sinceridade e emoção do que as escritas por jornalistas. Te passa pela cabeça ter uma biografia sua escrita por um fã um dia? Você lembra agora algum trecho que te marcou neste livro do Garrincha? E por quê? 

Eu amo biografias. Gosto de histórias, de trajetória, do que a pessoa em questão passou para chegar ao sucesso. Nunca pensei em ter um livro meu, mas quem sabe?!! Quanto ao livro do Garrincha, a parte que me impressiona é no ápice do vício, em que ele colocava bebida alcoólica nas garrafas de refrigerante para burlar a diretoria que tentava sondar se havia bebida no quarto dele. Pensei: Como pode um gênio da bola beber e conseguir jogar. É um livro que gosto muito, mas é triste também.

 

20 – Qual a lembrança mais antiga que você tem na sua vida sobre vôlei? Como foi quando começou a jogar com grandes estrelas como Fernanda Venturini, Virna, Leila? A Fofão disse em uma entrevista ao site Lancenet, que algumas meninas do São Caetano, quando a viram pela primeira vez, não acreditaram que jogariam junto com ela e queriam tirar fotos e pedir autógrafos. Você exerceu seu lado fã quando começou a jogar com lendas vivas do voleibol feminino brasileiro como citei acima, querendo fotos e autógrafos também? 

Lógico que tive e tenho até hoje meu lado fã. Amo Vôlei, amo esporte em geral! Na época em que vi pela primeira vez a Virna e a Leila no Flamengo, quase não dormi. O primeiro contato a gente nunca esquece. Lembro até hoje um dia em que a Virna me ligou para saber a hora certa do treino na época do Fla e, quando desligamos, eu só ria pensando o porque dela ter me ligado e não para outra pessoa. E mais, ela tinha meu telefone e quando encontrava minhas amigas mostrava o número pra elas. Com a Fernanda a mesma coisa. Lembro da primeira vez que entrai na casa dela, fiquei impressionada, pois até outro dia eu estava na frente da TV vendo ela jogar pela madrugada. São historias bacanas, que gosto de falar e lembrar. Sempre fui de acompanhar os jogos do Brasil, conheço, de nome, várias gerações por gostar. Realizei um outro sonho, dentre muitos, que foi jogar ao lado da Fofa. Sempre fui fã dela, da paciência, da inteligência e da dedicação. Ela é um grande exemplo.

 

 

CONTINUA....