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ENTREVISTA EXCLUSIVA: Fabí Alvim -

 parte 01

 

Nessa entrevista exclusiva concedida ao seu Site Oficial, a melhor líbero do mundo fala sobre sua infância, fama, fãs, músicas, livros, poesia, Rio-2016 e mais um monte de coisas bacanas! Essa é a primeira parte de três! Você não pode perder! A continuação está aqui!   

 

 

1 – Você nasceu no Rio, mas cresceu em Matias Barbosa-MG e depois voltou para o Rio, quando começou a jogar vôlei em Irajá, é isso? Como foi sua infância, como rolou essa mudança?  

    Bom, na verdade nasci em Botafogo, em 1980, fiquei até os 5 anos e depois fui criada em Irajá. Matias Barbosa é a cidade onde costumava passar minhas férias, onde mora a maioria das pessoas da minha família. Meus pais nasceram lá, meu avô, meus tios, enfim, além das férias, passava datas comemorativas e fiz diversos amigos, criando um laço muito forte com as pessoas de Matias. Morei durante muitos anos em Irajá, onde fiquei até sair para jogar vôlei profissionalmente.

 

2 – Quando você começou no vôlei, passava pela sua cabeça se tornar uma jogadora com fama internacional? Era seu sonho desde o início atingir esses altos patamares ou seu objetivo era jogar independente de onde você fosse parar? 

    No inicio não, fazia porque amava praticar esporte. Depois passei a amar o vôlei acima de qualquer coisa. Não tinha noção, por exemplo, de que era baixa para ser jogadora, já que na minha época de categoria de base não tinha o libero.

 

3 – A fama às vezes tem um preço alto. Muitas pessoas reclamam que chegam a sentir medo de alguns fãs mais afoitos que querem agarrar, arrancar cabelo, pedaço da pessoa, enfim. Tem ou já teve isso com você? Qual foi a maior loucura que um fã já fez por você? Isso te causa algum tipo de temor, constrangimento ou você encara numa boa? 

    Nunca tive problemas com fãs. Me relaciono muito bem com todos. Já tive algumas situações engraçadas, mas nada que me despertasse temor. Uma vez um fã me pediu desesperadamente uma calcinha para guardar. Sinceramente não sei o porque disso, mas procuro falar numa boa, mas óbvio que não dei a tal calcinha, rs.

 

4 – Falando em fama e fãs, quando você percebeu pela primeira vez que estava começando a ser reconhecida, que essa fama vinha chegando? Lembra do primeiro autógrafo que deu, qual foi sua sensação? Outro lado ruim da fama é a perda da privacidade. Em algum momento da sua vida ela te incomodou a ponto de você desejar ser anônima novamente? Você ainda consegue, depois do ouro olímpico, ter a rotina que tinha antes?

    Lembro até hoje da alegria em dar o primeiro autógrafo, de ficar escrevendo no papel pra saber como seria dar um. Foi em Macaé, isso eu sei. Confesso que é muito bacana o reconhecimento que temos depois da medalha. Uma vez na praia um cara ficou me filmando de biquíni, cada passo que eu dava, isso é chato, mas nada que me tirasse do sério. Penso que aquilo só aconteceu pelo reconhecimento do nosso trabalho como atleta, mas na minha rotina nada mudou. Continuo fazendo as mesmas coisas, indo aos mesmos lugares e com os mesmos amigos!!

 

5 – Você não esteve em Atenas mas acompanhou todo o desenrolar daquela fatídica semifinal onde o Brasil vencia a Rússia por 24x19 e as russas conseguiram virar. Você viu as injustiças que aconteceram com a Mari depois disso. Quando ocorreram aquelas derrotas sucessivas, como você citou no Redação SporTV, e algumas pessoas colocaram na seleção aquele rótulo infeliz de “amarelona”, em algum momento você teve receio de passar pela mesma injustiça que a Mari, como por exemplo, fazer defesas espetaculares em um jogo, tal qual os 37 pontos que ela fez em Atenas, mas não conseguir defender a última bola e sair como vilã de uma história onde na verdade foi heroína? 

    Nunca temi errar. Errar faz parte e a Mari é um grande exemplo. O importante são os valores. Se me dediquei, treinei como nunca, fiz o meu máximo e por acaso não consegui defender, não me sentiria vilã. Em um esporte coletivo não se pode crucificar um só, existe um grupo e se algo não funcionou é porque o grupo não foi bem.

 

6 – Saindo um pouco do assunto vôlei, você disse numa entrevista que gosta de MPB. É seu estilo de música favorito? Tem alguma música que é a da sua vida, aquela que vai ficar pra sempre? Algum motivo especial? 

    Eu amo música em geral. Música me inspira. Existem algumas que marcam, seja numa grande conquista, seja num amor, mas hoje, na minha cabeça, uma música que me lembra demais da nossa conquista foi Extravasa, da Claudia Leite. Eu ouvia todos os dias no caminho pro ginásio em Pequim.

 

7 – Você citou como seus filmes favoritos dois que tratam de histórias de heroísmo e superação. Pra você, viver é isso, arriscar, ir até as últimas conseqüências? Em “Gladiador”, o personagem do Russel Crowe morre no final da história. Até que ponto você iria por um sonho? 

    Penso que tudo que fazemos com amor, dedicação, honestidade e respeito, vale a pena. Faria tudo que tivesse dentro desse conceito, iria até o fundo da minha alma pelo que amo. A vida só vale a pena se fizermos tudo com coração e alma.

 

8 – Por que a sua cachorrinha Malu tem esse nome? Quantos anos ela tem? Conta um pouquinho da história dela, 15 minutos de fama da Malu!

    Eu adoro esse nome. A Malu foi um presente de uma grande amiga, a Karin. Hoje a Malu tem 5 anos, é linda!! Passamos a temporada dos clubes perto e quando venho pra seleção ela fica com minha mãe. Morro de saudade dela. Mas sempre que posso vou visita-la. É uma grande companheira!!

 

9 – Você me disse que amava poesia. Normalmente quem ama poesia, não fica só na leitura. Você escreve também? Você tem alguma poesia ou frase preferida que leva sempre na memória como algo pra sua vida inteira? Recite ela pra nós. 

    Eu amo poesia, mas não escrevo. Gosto muito do Charles Chaplin e tem uma frase dele que adoro:

   "Que os vossos esforços desafiem as impossibilidades, lembrai-vos de que as grandes coisas do homem foram conquistadas do que parecia impossível."

 

10 – Como falei em escrever, me diga: quais são seus talentos fora do mundo dos esportes?

Talentos não, mas eu gosto de futebol, futvolei, frescobol. Gosto de cozinhar também. Não considero talentos não, só são coisas que gosto de fazer quando estou em casa ou de folga!

 

CONTINUA....