|
1 –
Você nasceu no Rio, mas cresceu em Matias Barbosa-MG e
depois voltou para o Rio, quando começou a jogar vôlei
em Irajá, é isso? Como foi sua infância, como rolou essa
mudança?
Bom,
na verdade nasci em Botafogo, em 1980, fiquei até os 5
anos e depois fui criada em Irajá. Matias Barbosa é a
cidade onde costumava passar minhas férias, onde mora a
maioria das pessoas da minha família. Meus pais nasceram
lá, meu avô, meus tios, enfim, além das férias, passava
datas comemorativas e fiz diversos amigos, criando um
laço muito forte com as pessoas de Matias. Morei durante
muitos anos em Irajá, onde fiquei até sair para jogar
vôlei profissionalmente.
2 –
Quando você começou no vôlei, passava pela sua cabeça se
tornar uma jogadora com fama internacional? Era seu
sonho desde o início atingir esses altos patamares ou
seu objetivo era jogar independente de onde você fosse
parar?
No
inicio não, fazia porque amava praticar esporte. Depois
passei a amar o vôlei acima de qualquer coisa. Não tinha
noção, por exemplo, de que era baixa para ser jogadora,
já que na minha época de categoria de base não tinha o
libero.
3 –
A fama às vezes tem um preço alto. Muitas pessoas
reclamam que chegam a sentir medo de alguns fãs mais
afoitos que querem agarrar, arrancar cabelo, pedaço da
pessoa, enfim. Tem ou já teve isso com você? Qual foi a
maior loucura que um fã já fez por você? Isso te causa
algum tipo de temor, constrangimento ou você encara numa
boa?
Nunca tive problemas com fãs. Me relaciono muito bem com
todos. Já tive algumas situações engraçadas, mas nada
que me despertasse temor. Uma vez um fã me pediu
desesperadamente uma calcinha para guardar. Sinceramente
não sei o porque disso, mas procuro falar numa boa, mas
óbvio que não dei a tal calcinha, rs.
4 –
Falando em fama e fãs, quando você percebeu pela
primeira vez que estava começando a ser reconhecida, que
essa fama vinha chegando? Lembra do primeiro autógrafo
que deu, qual foi sua sensação? Outro lado ruim da fama
é a perda da privacidade. Em algum momento da sua vida
ela te incomodou a ponto de você desejar ser anônima
novamente? Você ainda consegue, depois do ouro olímpico,
ter a rotina que tinha antes?
Lembro até hoje da alegria em dar o primeiro autógrafo,
de ficar escrevendo no papel pra saber como seria dar
um. Foi em Macaé, isso eu sei. Confesso que é muito
bacana o reconhecimento que temos depois da medalha. Uma
vez na praia um cara ficou me filmando de biquíni, cada
passo que eu dava, isso é chato, mas nada que me tirasse
do sério. Penso que aquilo só aconteceu pelo
reconhecimento do nosso trabalho como atleta, mas na
minha rotina nada mudou. Continuo fazendo as mesmas
coisas, indo aos mesmos lugares e com os mesmos amigos!!
5 –
Você não esteve em Atenas mas acompanhou todo o
desenrolar daquela fatídica semifinal onde o Brasil
vencia a Rússia por 24x19 e as russas conseguiram virar.
Você viu as injustiças que aconteceram com a Mari depois
disso. Quando ocorreram aquelas derrotas sucessivas,
como você citou no Redação SporTV, e algumas pessoas
colocaram na seleção aquele rótulo infeliz de “amarelona”,
em algum momento você teve receio de passar pela mesma
injustiça que a Mari, como por exemplo, fazer defesas
espetaculares em um jogo, tal qual os 37 pontos que ela
fez em Atenas, mas não conseguir defender a última bola
e sair como vilã de uma história onde na verdade foi
heroína?
Nunca temi errar. Errar faz parte e a Mari é um grande
exemplo. O importante são os valores. Se me dediquei,
treinei como nunca, fiz o meu máximo e por acaso não
consegui defender, não me sentiria vilã. Em um esporte
coletivo não se pode crucificar um só, existe um grupo e
se algo não funcionou é porque o grupo não foi bem.
6 –
Saindo um pouco do assunto vôlei, você disse numa
entrevista que gosta de MPB. É seu estilo de música
favorito? Tem alguma música que é a da sua vida, aquela
que vai ficar pra sempre? Algum motivo especial?
Eu
amo música em geral. Música me inspira. Existem algumas
que marcam, seja numa grande conquista, seja num amor,
mas hoje, na minha cabeça, uma música que me lembra
demais da nossa conquista foi Extravasa, da Claudia
Leite. Eu ouvia todos os dias no caminho pro ginásio em
Pequim.
7 –
Você citou como seus filmes favoritos dois que tratam de
histórias de heroísmo e superação. Pra você, viver é
isso, arriscar, ir até as últimas conseqüências? Em “Gladiador”,
o personagem do Russel Crowe morre no final da história.
Até que ponto você iria por um sonho?
Penso que tudo que fazemos com amor, dedicação,
honestidade e respeito, vale a pena. Faria tudo que
tivesse dentro desse conceito, iria até o fundo da minha
alma pelo que amo. A vida só vale a pena se fizermos
tudo com coração e alma.
8 –
Por que a sua cachorrinha Malu tem esse nome? Quantos
anos ela tem? Conta um pouquinho da história dela, 15
minutos de fama da Malu!
Eu
adoro esse nome. A Malu foi um presente de uma grande
amiga, a Karin. Hoje a Malu tem 5 anos, é linda!!
Passamos a temporada dos clubes perto e quando venho pra
seleção ela fica com minha mãe. Morro de saudade dela.
Mas sempre que posso vou visita-la. É uma grande
companheira!!
9 –
Você me disse que amava poesia. Normalmente quem ama
poesia, não fica só na leitura. Você escreve também?
Você tem alguma poesia ou frase preferida que leva
sempre na memória como algo pra sua vida inteira? Recite
ela pra nós.
Eu
amo poesia, mas não escrevo. Gosto muito do Charles
Chaplin e tem uma frase dele que adoro:
"Que os
vossos esforços desafiem as impossibilidades,
lembrai-vos de que as grandes coisas do homem foram
conquistadas do que parecia impossível."
10 – Como falei em
escrever, me diga: quais são seus talentos fora do mundo
dos esportes?
Talentos não, mas eu
gosto de futebol, futvolei, frescobol. Gosto de cozinhar
também. Não considero talentos não, só são coisas que
gosto de fazer quando estou em casa ou de folga! |